segunda-feira, 1 de abril de 2013

Até o Sol nascer

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Passava noites de olhar fixo nos livros que contavam os mais belos contos de amor e de coração preso por um só fio. Tinha a cicatriz no peito de um corpo possuidor de um coração débil nunca antes amado de verdade. Os cabelos escuros e compridos contavam mil e uma histórias de rua e os lábios rosados e tão bem delineados escondiam segredos de romances lidos e nunca caídos em esquecimento. Esta noite esperava pela Lua, como em tantas outras o fazia, e escrevia poesia ao som da chuva e ventania incessante que se instalara de repente. É difícil desvendar os maiores segredos de um coração, saber o que este sente sempre que bombeia sangue para todas as partes do corpo. Ela não sabia o que sentia e perdia-se em caminhos feitos de rosas mórbidas e desfeitas na melancolia de um coração nunca admirado por ninguém. Pensava nele sem cessar, mas custava-lhe admitir que sonhava que lhe voasse até aos lençóis uma doce mensagem por ele escrita na leveza de uma folha de carvalho. E esperou pela Lua até o Sol nascer, mas esta não chegou a aparecer... Não esta noite.

8 comentários:

  1. Incrível como escreves tão bem Inês.
    Adorei a foto!

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  2. Este texto encantou-me e revi-me em quase todas as tuas frases! "Ela não sabia o que sentia e perdia-se em caminhos feitos de rosas mórbidas e desfeitas na melancolia de um coração nunca admirado por ninguém." do mais lindo...

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  3. Adorei. Um dia tens que escrever um livro.

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  4. sozinha, preciso de carinhos e de ser mimada, sou carente, so isso. obrigada pela preocupação!(desculpa a demora, ainda ando a aprender a orientar-me por este mundo)

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  5. Mas eu sou mesmo muito complexada e insegura relativamente a mim própria.

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