sexta-feira, 22 de março de 2013

O rio

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Ali permanecias sentado, quase adormecido com o pipilar das aves e o maravilhoso movimento das calmas águas do rio. Estava um dia gelado e havias acabado de fumar um cigarro e trazido a guitarra para o teu acolhedor colo. Tocavas numa maresia discreta, num olhar de poeta, enquanto vislumbravas os barcos atracarem. O som dos teus dedos a tocar as cordas da guitarra ouvia-se nos arredores e fazia-se sentir até à mais longínqua casa daquele pedaço de rua. Inspiravas-te com o bater das asas das gaivotas e abrias o coração ao rio sempre que vias um peixe que se deixava mostrar aos calorosos observadores da cidade. Estavas sentado havia horas, sempre na mesma posição e de queixo caído com a beleza da Natureza naquelas manhãs frias em que poucos tinham a coragem de sair à rua. E tocavas, tocavas até despertar a cidade numa melodia bem-disposta de quem ama um rio com a alma. Eu ali permaneci, cúmplice dos teus olhos e apreciadora da tua música. Cerrei os olhos num instante e quase que senti o calor dos teus dedos tocarem-me a alma.

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