sábado, 23 de março de 2013

Amizades de inverno


Ela contara-me que se sentia só, um dia, num dos tantos luares frios de inverno. Dissera-me que se via ao espelho como uma única pétala de rosa deixada cair, um pedaço de chão pisado por ninguém. Sinto-me vazia, dissera-me quando os soluços cessaram finalmente. Não estás sozinha, respondi, dirigindo-lhe o olhar em tons de ternura. De quando em quando penteava-lhe os lustrosos e rútilos cabelos de menina, como quem aconchega um coração com uma tão-somente chávena de chá. Pedi-lhe que conversasse comigo, mas rapidamente entendi que tudo o que ela mais queria era escutar a interminável cantiga das cigarras que a embalava em cigarros de noites infindáveis de verão. Eu sabia que a fazia sentir-se melhor, então abraçava-a e permanecia em silêncio durante longos períodos de tempo. Quando a observei minunciosamente, na noite, vi uma alma débil e despida implorando por companhia num suspiro noturno quase inaudível. Ali permanecemos sentadas nos ramos baixos de um antigo carvalho-branco, eu na esperança de a ver renascer e ela a chorar nos meus braços. O.

15 comentários:

  1. És sem dúvida espectacular ainda que ambas não saibamos os nossos nomes verdadeiros, o lugar onde vivemos ou aquilo que nos rodeia. Dava a minha vida por ti, apesar de não nos conhecermos realmente.
    És fantástica, acredita em mim.

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  2. Mais um belo texto, que transmite um carinho enorme :)

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  3. Agora sim tive tempo para me perder nas tuas palavras! E estou maravilhada :o
    Escreves muito bem, honey!

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  4. Oh, de nada Inês. Continua a escrever assim.
    Eu já te perguntei a tua idade?

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  5. Muito obrigada, fico feliz por teres gostado!

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  6. Muito obrigada, assim o farei :)
    Fiquei curiosa, este é um texto verídico? Muito bem escrito, adoro!
    Beijinhos *

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  7. Vim rever este texto e apeteceu-me chorar. Adoro-te, miúda.

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