quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Noites relembradas

Passados deixados cair na leveza do rio como pedras que imploram para jamais serem levantadas novamente. Emoções que fingo ter esquecido, mas que me continuam ávidas na memória e que me iludem a cada dia que tende em passar. Triste por relembrar um passado longínquo que não devia mais voltar. Folhas de sobreiros que caem sem se ouvir, pétalas de rosas que não se vêem dançar ao sabor da ventania. Invisível, é tudo aquilo que eu sou para ti; noites passadas sentada e recostada sobre a neve que cai de madrugada a chorar lágrimas de sangue. Noites que pensava ter esquecido, mas que regressam como andorinhas que migram na primavera, gritos inaudíveis e lágrimas que não se vêem. Fogo que arde e me queima o peito, geada que me entorpece a alma que já não tenho, mas sinto. Resta-me pedir aos céus para que tudo o que sentira por ti não volte, porque eu não sou pólen que vai e regressa nem chávenas de café partilhadas e bebidas a dois. Sou um longo poema decorado, uma pequena vela acesa,  mais bela quando te vais e mais forte a cada dia em que o Sol nasce. E agora chove.

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5 comentários:

  1. Tão triste.. Não acredito que sejas assim tão invisível :)

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  2. Espero que possas daqui a algum tempo escrever de forma mais alegre...vais ver que com o tempo a dor esmorece...


    Beijinho*

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  3. Que bonito.. Está tão triste, tão dramático. Consegui entender tudo o que escreveste. Não sei se sentes mesmo o que escreveste, mas se assim for, deixo aqui uma palavra de encorajamento, dizendo que escreves muito bem. Ainda não houve um texto teu que não me surpreendesse c:
    beijinhos

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  4. está lindo, mesmo muito. Emocionei-me, reflito-me nele!

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Escreve aquilo que estiveres a sentir neste momento.