domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dançar ao luar

Sentei-me na estrada ao luar, no preciso momento em que tu desapareceste no céu enevoado e cinzento. Deixaste-me na frieza de breves palavras escritas nas estrelas desta noite. E eu escutava a chuva cair e deixava-me cair com ela. Estava fria, fraca, pesarosa. As árvores tremiam a cada rajada de vento, as flores voavam, leves como penas, e a água inundava as ruas da cidade. Estava descalça e sem consolo, longe de mim e de ti, cada vez mais. Acendi um cigarro e cruzei as pernas, levantei-me e dancei, fi-lo como se não houvesse mais nada de grandioso nesta vida. Percorri toda a rua em piruetas repletas de angústia e em pliés há muito ensinados. Abracei-me e deslizei no chão molhado, como desertos que anseiam por uma gota de água. Cantei e despi-me naquela noite à medida que abraçava a dança como único consolo. Só parei quando vi a Lua sumir-se e vislumbrei o brilhante Sol que se instalava, agora, no conforto dos céus. Calcei-me e voltei a casa alquebrada, exausta. Agora sorridente e sem vestígios de lágrimas deixadas cair ao som de poemas escritos pelos céus. E dancei, porque dançar é o fogo nestas noites mórbidas de Inverno.

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9 comentários:

  1. «Estava descalça e sem consolo, longe de mim e de ti, cada vez mais.», esta frase é tão eu. Gostei muito, talvez se soubesse dançar pudesse fazer o mesmo.
    Muito obrigada, agora também sou tua seguidora. :)

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  2. Gostei*
    Sim, não há uma sem outra. Precisamos de ambas para a felicidade.

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  3. É nisso mesmo que tenho de pensar. Muito obrigada!
    Gostei do post :)

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