quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Para onde?

Gritei e senti que não era suficientemente audível. Chorei e jurei para nunca mais. O café já esfriara havia muito e o calor já desaparecera de nós próprios. O céu estava escuro, repleto de fantasmas que anunciavam o terror e a pusilanimidade. O fim estava próximo e tu estavas cada vez mais longe. Ouvi relâmpagos e chorei ao som da chuva, gritei por ti e perdi-me naquela janela. Inundei a cidade com as minhas lágrimas e senti o Inferno a meus pés. O cheiro do teu perfume assoberbava-me os cabelos e eu caía cada vez que pensava que estavas prestes a ir-te embora. "Não vás", tartamudeei já quase sem fôlego. "Não posso deixar-te ir assim, eu vou contigo". Abraçaste-me e sentiste o meu cheiro a Inverno, beijaste-me e sorriste. Sempre sei dizer nada. Saltei para os teus braços e deitaste-me contigo na cama. No dia seguinte fugimos. Para onde? Ainda não sabemos.

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