Daquelas poucas vezes que me olhaste quase que te senti os lábios no rosto e agora que penso em ti quase que te consigo ouvir o coração. Pensei que estivéssemos prestes a escrever uma história, já estava eu de livro no colo e lábios entreabertos à tua espera... Em vão, não mais nasceram malmequeres no meu quarto nem mais a Lua me olhou da janela. Oh, e soubesses tu as vezes que me deixo ficar de lábios semicerrados à tua procura. E soubesses quantos poemas chorei todo o dia à espera que viesses. Porque eu era quase nada e tu eras quase tudo.
terça-feira, 11 de junho de 2013
domingo, 9 de junho de 2013
A primeira primavera

Ela nunca acreditara muito na primavera nem nos cafés bebidos a meias até às três da manhã. Na verdade, nunca ninguém a fizera acreditar em Afrodite antes, tampouco viver num abraço terno de alguém. Ela brincava às bonecas, mas nunca as casava, pois não acreditava muito nisso. Todos os dias via as estrelas do seu jardim e cantava-lhes a melodia de quem sonha encontrar a alma dos seus olhos, mas esconde. E sonhava.
Mas um dia o Sol nascera mais cedo do que era previsto e eram mais as borboletas que voavam na cidade do que a areia da praia. Ela acreditara no amor e deixara-se adormecer em pedaços de mel beijados pelos seus olhos. Os olhos dele beijavam-na. E ele acariciava-lhe cada parte do corpo como se fosse doces rosas que nascem perfumadas pelos céus e murmurava-lhe os segredos das estrelas ao ouvido. Quando a noite caía, a Lua beijava-lhe o pescoço comprido e ela cantava a Deus para que ele nunca a deixasse. E assim ela aprendeu a ser o céu e a tocar piano sempre que a primavera chegava. E esta era só a primeira primavera de tantas outras que eles iriam passar juntos. Afinal, ela sempre sonhara contar as estrelas nos braços de alguém. E sonhava.
sábado, 1 de junho de 2013
Cigarros sem Lua

Era suposto a Lua hoje ser nossa. Mas hoje não és meu e eu já nem de mim sou. Eras-me o dia e a noite e eu sonhava que fosses quem me beija a testa pela manhã. Parecias-me tão belo, tão cheio de poemas na alma. Agora fumo um cigarro ao luar e, oh, como está fria a noite. Talvez seja por me teres deixado sem o teu casaco, torna-se inverno quando não estás, já to tinha dito. E eu torno-me céu escuro que chora em noites como esta e grito e choro, mas nem as paredes parecem sossegar-me. As flores hoje não me embelezaram o quarto, nem tão pouco o Sol brilhou cá em casa. Tem sido noite desde que acordei. Anoitece cada vez com mais intensidade e eu pedia só que dissesses que gostavas de mim. Escrevi nas folhas já sujas o teu nome e morri mais uma vez a olhá-lo. Fumei outro cigarro, dancei ao céu quase esquecido e chorei, afinal era suposto a Lua hoje ser nossa.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Jardins que choram

Eram tantas flores que me perdi, vi-me sem rumo nas mil e uma pétalas dançadas em manhãs de primavera. Ainda era cedo, oito da manhã quase, nem tanto, já eu beijava ramos e troncos de carvalhos que se pareciam esconder à medida que os meus olhos os alcançavam. Trazia geada no olhar, ventos carregados por pássaros que levam o teu nome escrito nas asas já quase desfalecidas. E não era mais que uma primavera vivida por entre beijos e sussurros de amor à Lua e cigarros fumados a medo.
Anoiteceu. As magnólias esconderam-se e os melros refugiaram-se em ramos que lhes contavam histórias de amor ainda antes de amanhecer. E estava quase vestida de preto, eu que nunca me vestia de tons escuros. Ainda pensei que te viesses sentar a meu lado e me beijasses os lábios cansados de te cantar poesia mesmo antes dos melros se soltarem dos ramos e do Sol nascer. Em vão. Acho que chorei com uma rosa, não me lembro, mas, para a próxima, prometo dançar ao som da melodia que já não me cantas.
domingo, 26 de maio de 2013
Primavera

O amor inunda-nos devagar, mas dizem que pode deixar-nos rapidamente. Aprendi o sabor da primavera e do chilrear dos pássaros no dia em que me ensinaste a melodia dos teus olhos e as histórias dos teus lábios. Oh, e que doces histórias essas que me contaste, de todas as vezes que me abraçaste e entrelaçaste os teus dedos nos meus. Foram tantas as vezes que me deixei adormecer fingindo que me aquecias com os braços e tantas outras em que a Lua nos aquentava os corações mergulhados no rio que eram os nossos corpos cansados. E eu tinha saudades do Sol e era quase borboletas poisadas numa pétala de rosa chorada antes de te encontrar. Já não me tenho, já não me sinto. Levaste-me, a mim e às mil canções que te cantei antes de adormeceres e beijares-me o peito em outras tantas noites dançadas. E eu espero, um dia, voltar a ser primavera nos teus braços.
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