segunda-feira, 6 de maio de 2013

Doces beijos teus

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Era um sorriso disforme
Com o sonho de ser pianista,
E dançava como quem se consome
Com flores de uma alma nem vista.

Escrevia de dia; e de noite
Cantava os tormentos à Lua.
Na beleza do Sol poente
Dançava em plies pela rua.

Depois de tamanha tristeza,
Talvez tenha chegado o seu dia
De ser rosas deitadas sobre a mesa
A beber sorrisos que trazia.

Lábios doces de madrugada,
Corpos desenhados sem fim,
Olhares de quem teme nada
De poemas beijados assim.

Céus escuros de paixão
De um corpo que nunca se afasta
Poesia escrita no chão
Onde um meio suspiro só basta.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Asas


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Tinhas os olhos da cor do oceano, possuidores de uma certa pureza e amabilidade escondida. Conheço-te as costas cansadas, os recantos mais obscuros do olhar e os lábios rosados e chorados quase sem querer. Tinhas os lábios que eu sonhava beijar, um dia, enquanto tocava piano para a Lua e para ti. Tenho sonhado contigo, sabes? Quando cerro os olhos vejo-te, cheiras a verão e a poemas cantados aos meus ombros na noite. Ainda não sei como te consigo sentir o toque na face ou cheirar-te a camisa quando adormeço com o coração em ti, nem sequer ouses perguntar-me. E vejo os melros voar até ao topo do sobreiro que me sente a pele queimada quase sem pestanejar, sempre adorei pássaros. Escrevi-te enquanto o Sol ainda iluminava a cidade e deixei-me cair enquanto ele caía no mesmo compasso de tempo. Cerrei os olhos mais uma vez, só mais uma vez, e quase que te senti o sorriso no peito. E se fôssemos agora dois pássaros e voássemos de asas entrelaçadas?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fix you

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Pressinto-te cair, beijar rosas encarnadas, de um sentimento atroz que te leva a alma, e adormecer, por fim, já sem ela. Prefiro perder-me do que perder-te de mim, dizia eu em tons de uma amizade que nunca termina e de poemas escritos minuciosamente nos lábios. Olho-te como quem admira o jardim que mais cuida e choro como quem vive já sem propósito. É triste não saber o que fazer com uma alma que persiste em não querer viver e em não se encontrar - desesperante, talvez. Morro enquanto te oiço suspirar já quase sem voz e choro sem cessar, sempre sem soltar um soluço de mágoa para que não me oiças cair. Oh, nunca gostei que me vissem falecer das tantas vezes que o fiz! E custa-me saber que queres fugir e dói-me mais ainda esticar todo o corpo e não te conseguir encontrar para te abraçar enquanto gritas, quase perdida, sabendo que é de um beijo na testa que mais precisas. Eu não posso mais soluçar meios-rios de angústia, enquanto te vejo chorar lágrimas de sangue. E eu não te posso perder, entendes? Afinal, és a minha pequena. Pinky promise.

sábado, 20 de abril de 2013

Enquanto dançava

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Tocava a melodia que me enchia a alma e eu deixava-me apaixonar, não pelo refrão mas por sonhar que mo cantavas ao ouvido esta noite. O quarto estava desarrumado e a Lua iluminava-me o corpo despido e quebrado enquanto dançava. E eu apaixonei-me pelos teus braços, mesmo sabendo que estes não me conheciam o rosto. Soltei os cabelos quase num grito e fingi que me penteavas com as mãos e que as gerberas sorriam por nos ver dançar abraçados. Ao invés, o chão sabia-me a noites choradas e a olhares nunca partilhados e a melodias dançadas todas as manhãs como quem se desfaz em penas por não te ter. Mas talvez eu não mereça a música, o pedaço de papel em que escrevo nem, tão pouco, tão doces suspiros por dar a dois. Acabei por cair num plié desfeito e chorar até à chuva, por fim, cessar. Talvez sejas só o meu pedaço de céu preferido.

domingo, 14 de abril de 2013

Saudades de uma outra vida

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Eram tempos em que os jardins ainda estavam cobertos de túlipas e o chilrear incessante das aves era quase tão acolhedor quanto um abraço. Éramos meninas de saias verde-água e cabelos soltos e airosos, malmequeres precocemente colhidos com uma só mão. Era tão fácil viver. Corríamos de mãos dadas pela manhã e chegávamos até a fazer promessas de que nunca nos iríamos separar. Sabíamos lá nos o significado efémero das palavras para sempre.
Os dias de chuva apareceram e os pássaros deixaram subitamente de nos cantar amor aos ouvidos. Os anos foram-se passando e os jardins cobriram-se de margaridas mórbidas e perdidas. Num breve suspiro, estava sozinha e a nossa promessa havia-se quebrado. Oh, e toda eu não fosse promessas de sábado à noite choradas ao luar! Perco-me agora em cartas que escrevo para almas que ainda conheço e que nunca esquecera. Deito-me no chão onde dançávamos felizes todas as tardes, recordo todas aquelas vezes em que sorríamos de pés mergulhados no lago da cor dos meus olhos e choro como quem morre de saudade. Adoro-vos - sussurrei à estrela que mais brilhava na pureza dos céus e quase que senti o suave toque das mãos delas entrelaçarem-se nas minhas. Adormeci.