
Tinhas os olhos da cor do
oceano, possuidores de uma certa pureza e amabilidade escondida. Conheço-te as costas cansadas, os recantos mais obscuros do olhar e os lábios rosados e chorados quase sem querer. Tinhas os
lábios que eu sonhava beijar, um dia, enquanto tocava piano para a Lua e para ti. Tenho sonhado contigo, sabes? Quando cerro os olhos vejo-te, cheiras a verão
e a poemas cantados aos meus ombros na noite. Ainda não sei como te consigo sentir o toque na
face ou cheirar-te a camisa quando adormeço com o coração em ti, nem sequer
ouses perguntar-me. E vejo os melros voar até ao topo do sobreiro que me
sente a pele queimada quase sem pestanejar, sempre adorei pássaros. Escrevi-te
enquanto o Sol ainda iluminava a cidade e deixei-me cair enquanto ele caía no
mesmo compasso de tempo. Cerrei os olhos mais uma vez, só mais uma vez, e quase que te senti o sorriso no peito.
E se fôssemos agora dois pássaros e voássemos de asas entrelaçadas?



