
Rasgo cartas molhadas
Que escrevo com dor ao deitar,
Colho discos de música
Que outrora amara dançar.
Abre-se-me o peito na noite
Cansada do teu nome chamar,
Sonhos afundados no rio
De alma exausta de gritar.
Sorrio quando apareces,
Choro sempre que te vais
Como quem espera um beijo
Ou, quem sabe, até algo mais.
Retratos desenhados de inverno
Por mim, até não muito mal,
Teus lábios chorados a carvão
O que me és tu afinal?
Falo como se a meu lado estivesses
De alma caída e nua,
Talvez queira estar só contigo
E dançar; eu, tu e a Lua.



