segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dois pássaros livres

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Deitados lado a lado como dois pássaros livres que cantam música juntos; adormecidos como duas almas que só repousam no descanso de um sonho; aquecidos como lenha que arde sem  sequer darmos conta. Dormimos juntos e sonhámos na preciosidade de uma noite passada no calor um do outro. Eram nove e vinte e dois e tu despertaste-me na surpresa de um beijo. Perguntaste-me se tinha dormido bem, eu afirmei com a cabeça e retribui-te a questão. Passei toda a noite acordado a admirar-te. Sabe-me tão bem saber que não tenho de adormecer para sonhar contigo - disseste-me sorrindo e acarinhando-me o pescoço, finalmente. Abracei-te e fechámos ambos os olhos, deixando-nos absorver pela magia das cámelias e magnólias que se vislumbravam da janela da sala. Cegos e sem limites como crianças que correm sem destino aparente, assim estávamos nós. Somos segredos de lábios entreabertos, doçura de corações encontrados à beira-rio e corpos sem chão unidos por laços de afeto. E assim passamos as nossas vidas, salvaguardados na paz um do outro.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dançar ao luar

Sentei-me na estrada ao luar, no preciso momento em que tu desapareceste no céu enevoado e cinzento. Deixaste-me na frieza de breves palavras escritas nas estrelas desta noite. E eu escutava a chuva cair e deixava-me cair com ela. Estava fria, fraca, pesarosa. As árvores tremiam a cada rajada de vento, as flores voavam, leves como penas, e a água inundava as ruas da cidade. Estava descalça e sem consolo, longe de mim e de ti, cada vez mais. Acendi um cigarro e cruzei as pernas, levantei-me e dancei, fi-lo como se não houvesse mais nada de grandioso nesta vida. Percorri toda a rua em piruetas repletas de angústia e em pliés há muito ensinados. Abracei-me e deslizei no chão molhado, como desertos que anseiam por uma gota de água. Cantei e despi-me naquela noite à medida que abraçava a dança como único consolo. Só parei quando vi a Lua sumir-se e vislumbrei o brilhante Sol que se instalava, agora, no conforto dos céus. Calcei-me e voltei a casa alquebrada, exausta. Agora sorridente e sem vestígios de lágrimas deixadas cair ao som de poemas escritos pelos céus. E dancei, porque dançar é o fogo nestas noites mórbidas de Inverno.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Despedida


Senti o calor das trevas, o piso molhado que só se pisa no Inferno e as lutas entre almas loucas de saudade. Senti-me lúgubre e com uma vontade imensa de fazer parar o tempo, como que por magia. Tentei sentir-me, mas não conseguia, estava demasiado gelada para tal. Entre o bizarro pipilar noturno dos pássaros e a escuridão daquela noite, deixei-me derreter entre paredes repletas de contos e poemas há muito decorados. Caí no chão e apreciei as nuvens e a Lua, e quase o Sol que não tardava a nascer para iluminar a rua. Não conseguia despedir-me de ti, ainda não me tinha acostumado à dor de o fazer. Antes éramos lindos jardins de magnólias e agora somos apenas palavras ausentes de nós mesmas, incapazes de as proferir. Naquela noite senti-me um pássaro, daqueles que quebram uma asa e não voam mais, um céu cinzento em dias que trovejam, uma vela apagada e um simples pedaço de mar. Oh, diz que me levas contigo.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Cinco da madrugada

Estava triste, consternada. Era noite de Lua Cheia e nem isso me consolava. O cigarro apagara-se e o copo de sumo estava caído no chão. Sentia-me fria, gelada mesmo. Tinha medo e vontade de lutar ao mesmo tempo e não sabia qual destes escolher. Sentia-me doente, combalida, débil. O tempo parecia não passar. Bateste-me à porta como se pressentisses que eu não estava bem, entraste no quarto e escondeste-me nos teus longos e fortes braços. Chorei e solucei umas cem vezes no teu peito. Não me perguntaste o que se passava, nem sequer me cumprimentaste. Eu gostei disso. Conversas de silêncio e noites de amor, tudo aquilo que nós somos. Caímos no chão os dois, perto da janela. Sentimos a Lua em beijos que me davas por todo o corpo. Senti as estrelas e o céu, a chuva e o chão molhado. Deitaste-me na cama e saíste, deixando-me nos silêncio de um beijo na testa. No quarto ficou o teu cheiro a bondosidade e a cinco da madrugada. Cheirava a poesia, a poemas verbalizados de amor. Cheirava a ti e a mim. A nós. Nada mais.

     

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Para onde?

Gritei e senti que não era suficientemente audível. Chorei e jurei para nunca mais. O café já esfriara havia muito e o calor já desaparecera de nós próprios. O céu estava escuro, repleto de fantasmas que anunciavam o terror e a pusilanimidade. O fim estava próximo e tu estavas cada vez mais longe. Ouvi relâmpagos e chorei ao som da chuva, gritei por ti e perdi-me naquela janela. Inundei a cidade com as minhas lágrimas e senti o Inferno a meus pés. O cheiro do teu perfume assoberbava-me os cabelos e eu caía cada vez que pensava que estavas prestes a ir-te embora. "Não vás", tartamudeei já quase sem fôlego. "Não posso deixar-te ir assim, eu vou contigo". Abraçaste-me e sentiste o meu cheiro a Inverno, beijaste-me e sorriste. Sempre sei dizer nada. Saltei para os teus braços e deitaste-me contigo na cama. No dia seguinte fugimos. Para onde? Ainda não sabemos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Unidos para todo o sempre

Inalo o teu perfume e entrego-me inteiramente a ti. Cheiras a noites quentes, a infindáveis dias de paixão, a afeto, a vida. Tens todo o calor que eu não tenho, o suficiente para aquentar o meu corpo gelado. Do quarto vislumbra-se a Lua, as estrelas e o tão tenebroso céu. Por baixo dos lençóis beijas-me o joelho, aquele que tu mais gostas, a barriga e o peito. Sobes até ao meu ombro e aí deixas-te ficar, paralisado, suspenso, inerte. Entrego-te o meu corpo e acarinha-lo como se fosse o chocolate mais cobiçado do mundo inteiro e, por conseguinte, o teu preferido. Nunca me sentira assim, admito, nem amara ninguém tão intensamente. Os meus sonhos tornaram-se páginas do meu diário, pois tornaste possível tudo aquilo que eu idealizara em anos. "Eu e tu...", sussurras-me ao ouvido. Nesse mesmo momento, a luz apaga-se e a Lua torna-se mais vizinha do que nunca. "Eu e tu.", respondo-te eu. Adormecemos perfeitamente entrelaçados e unidos para todo o sempre.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Tão real

Era de noite e uma enorme Lua Cheia iluminava-me o caminho. Eu tinha ido visitar a A. à terra onde ela se encontra a viver agora. Ela tinha-me dado todas as indicações para como chegar a sua casa e eu fi-lo exatamente como ela me dissera. Toquei à campainha, a porta abriu-se e corremos uma para a outra à velocidade da luz, em forma de apagar toda aquela saudade. Permanecemos abraçadas durante um período de tempo infindável, ao mesmo tempo que rezávamos para que aquele momento não terminasse nunca e chorávamos intensamente. Verbalizámos algumas palavras, entre soluços de choro, e, pouco depois, tivemos de nos despedir novamente. Abraçámo-nos mais uma vez, eu beijei-lhe a face e pedi a Deus que nada de mal lhe acontecesse. Fechei a porta de casa e entrei no carro com um sorriso nos lábios e os olhos encharcados de emoção.


Acordei a chorar, isto não passou de um sonho. Merda.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Uma noite na praia


Já é tarde e o céu pôs-se escuro e repleto de estrelas. Oiço as ondas bater cada vez mais suave e levemente e o palpitar do meu coração vai acalmando, aos poucos, também. Estás ao meu lado e não paras de me admirar nem por um segundo, como que se quando tirasses os olhos de mim me perdesses por magia. Tens os lábios entreabertos, à espera de um beijo talvez, um sorriso desfeito e uns grandes olhos tranquilizantes da cor do mar. Pões o braço por cima de mim e abraças-me, encosto a cabeça ao teu pescoço e deixo-me ficar ali paralisada, enquanto me acarinhas tão docemente o braço que está próximo de ti. Sinto-me como nunca me senti antes, inserida e completamente detida por este ambiente que tanto admiro. Está frio, é de noite e tenho-te comigo. Estarei eu a sonhar? Os meus olhos vão-se fechando e tu beijas-me a testa, o que me faz despertar. "Estás cheia de sono, não estás?" - dizes-me num sussurro. Volto a fechar os olhos, consigo ouvir-te despir o casaco castanho que trazias e a cobrir-me inteiramente com ele. Seguidamente, abraças-me como se fosses uma chama bem quente que me quer desesperadamente aquecer, penteias-me o cabelo com os dedos e deitas-te a meu lado. "És tudo o que eu sempre sonhei.", consigo ouvir-te dizer, mesmo sem tu saberes. Estou demasiado imobilizada e latente para dizer qualquer coisa, por isso limito-me a pensar no quão maravilhoso és. Deixamo-nos ficar assim, perdidos numa constelação perfeita que nenhum de nós vislumbrara antes. Deitados sobre a areia sem dali mais sair, apaixonados, tu cansado e eu adormecida nos teus braços.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dois corações e mais nada


Estava a chover muito e as ruas começavam a ficar inundadas. Já estava ali sentada havia umas horas sem saber para onde ir e em busca do impossível, talvez. A chuva fazia-se ouvir sempre que batia fortemente nos passeios e as janelas fechavam-se do frio que começava agora a entrar para os lares da cidade. Tinha os óculos postos, os mesmos de sempre, para que não me vissem os olhos tal como eu não consigo ver os deles. Comecei a ouvir uns passos e senti que alguém se aproximara, disse “Olá?” mas não obtive resposta. Eu sabia que estava alguém sentado a meu lado naquele banco desgastado da chuva e da luz do Sol, não sei como, mas sabia. Após uns minutos senti um toque no braço direito e arrepiei-me, era uma mão máscula e terna e era disso mesmo que eu precisava. Soube-me bem, visto que estava a ficar cada vez mais gelada. Voltei a perguntar quem estava ali, mas ninguém me respondeu novamente. Sabia que me devia ir embora, mas havia algo que me puxava para aquele banco, para aquela pessoa... Algo que me impedia de ir onde quer que fosse. Era mais forte do que eu. Era um rapaz, um elegante adolescente de apenas 16 anos, dono de uma beleza imensa. Tinha os olhos da cor da relva do parque, as bochechas rosadinhas e os lábios carnudos e bem encarnados. Eu não o sabia, não o conseguia ver e tinha pena disso. Pedi a Deus com todas as minhas forças que esta deficiência visual me passasse nem que fosse só por um instante, porque eu precisava de o ver. Estiquei a mão até o sentir, brinquei com o seu cabelo e desci até à sua boca, contornei-a com a ponta dos dedos e voltei a poisar a mão no banco. Ele via-me, apenas não me conseguia ouvir nem mesmo comunicar comigo. Senti uma brisa quente, pela primeira vez naquela tarde, e senti-o a aproximar-se. Os seus braços subiram até ao meu pescoço e aí abraçou-me com a maior força do mundo, algo que eu nunca sentira antes. Beijou-me o pescoço, depois a face e deixou-se ficar no meu nariz proporcionando-me curtos beijinhos que eu quase nem sentia mas que pareciam significar muito para ele. Pus as pernas por cima das dele mesmo sem o ver e abraçámo-nos com toda a força. Ele adorava-me com os olhos neste momento, dado que era um dos poucos sentidos que tinha. Parou de chover e eu entreguei-lhe o meu coração, pequeno e molhado, e ele confiou-me o dele a mim também. E, pela primeira vez, percebi que uma boca não serve só para falar, mas também para beijar e para imaginar o que poderia ser dito; que uns ouvidos não só escutam como imaginam as maravilhas que poderiam escutar; e que só uma pequena parte dos olhos tem a função de ver, a outra limita-se a sentir e a sonhar. Eu sou cega e ele é surdo mudo. Assim permanecemos naquele banco até anoitecer, entrelaçados e unidos por algo inquebrável. E eu nunca me sentira tão viva.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Amo-te



Fizeste-me despertar com um doce beijo na testa e um suave toque na face, beijaste-me desde a testa até ao umbigo, onde te deixaste ficar abraçado. O teu cheiro ainda está nos lençóis, no meu corpo e na minha alma. Consigo senti-lo. À medida que vou ganhando forças para abrir os olhos, relembro cada momento da noite anterior: toda a magia, toda a simplicidade, aquele prazer. Quando abro finalmente os olhos oiço-te numa voz baixa e terna a proferir: “Bom dia, meu amor” e eu respondo-te com um beijo. De seguida deitei-me por cima de ti, perfeitamente embutida nesse teu corpo imenso. Deixámo-nos ficar assim umas duas horas induzidos no silêncio daquela manhã de domingo e a recordar a assombrosa noite que haviamos passado juntos. Da janela vislumbra-se o Sol e uma nuvem apenas. Consigo sentir o cheiro a inverno e escutar o precioso pipilar dos pássaros. Sinto que somos um só, que conhecemos tudo um do outro. Tu tens-me na tua mão e toda eu sou um pouco de ti. Sucedeu-se uma incrível sessão de beijos e troca de afetos entre os nossos corpos agora bem quentes. Eu vesti-te e tu fizeste-o também comigo, no mesmo compasso de tempo. Não era isso que queríamos, estávamos inundados de prazer e eu sentia-o, queríamos despir-nos e começar tudo novamente. Beijavas cada pedaço de mim à medida que me vestias e fizeste-o por todo o meu corpo. De almas entrelaçadas despedimo-nos, porque tinhas encontro marcado no trabalho às dez e já havia passado dez minutos dessa  hora. Antes da porta se fechar, beijaste-me o pescoço e eu inalei o teu tão característico cheiro. Disseste-me “Nunca conheci ninguém como tu” e eu respondi-te “Amo-te”, foi o resumir de inúmeros batimentos cardíacos numa só palavra. Abracei-te e mordi-te a orelha.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sonhos de uma tarde

As ondas do mar crescem à medida que a geada aumenta e vão caindo pequenos flocos de neve do céu, aos poucos. Passeiam pela areia pessoas trajadas com roupas vetustas e já sem cor de tão velhas que são. Todos passam aqui, neste sítio tão etéreo e puro em que me encontro neste momento. As ondas batem nas enormes e inalcançáveis rochas e o calor já desaparecera havia muito. Está frio, o céu está a escurecer e as pessoas vão ocupando os seus lares. Estou sentada num rochedo, sozinha na companhia só dos anjos e a observar este tão sublime mundo. Há coisas bonitas! Gostava de ter alguém a meu lado agora. Enquanto me encontro na companhia do mar e da areia, sonho comigo, neste mesmo sítio, mas acompanhada pelo meu amor. Nunca vivi uma incrível história de paixão como nos filmes... Gostava de a viver e de escrevê-la, um dia. É disto que eu vivo e é assim que eu sou. Imagino cenários inauditos e pessoas extraordinárias, sonho, idealizo e vivo, assim, feliz. Não posso afirmar ser uma pessoa triste, porque não o sou, com certeza. Falta-me sempre algo, eu sinto isso, mas falta-nos a todos alguma coisa. É assim que eu vivo e sou feliz porque sonho. 
Nunca deixem de sonhar!

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Desilusão

Tenho saudades do quão fáceis as coisas eram antigamente. Nada me custava nem destruía, chorar duas vezes numa semana já era uma imensidão para mim. Agora, habituei-me a chorar todas as noites e conheci a saudade e a desilusão. Hoje desiludi-me e estou abalada por dentro. Estou triste com uma amiga que faz já parte de mim há uns bons anos. Com o olhar focado em nada e com o nevoeiro que se faz mostrar à minha frente, eu choro e entrego-me com toda a minha alma a esta noite tão lastimosa. Deixo-me cair num chão que desconheço e fecho os olhos, mesmo sem querer. As palavras parecem poucas e as paredes apertadas, as pessoas magoam-me e eu sou demasiado emocional. Deixo-me derrubar por coisas que, a muitos, pouco ou nada afetariam. Esmorecente, débil e sem espaço para mais dor neste meu quarto.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Já não trocávamos vocábulos havia uma eternidade. Tu costumas lá estar e eu também, mas já não conversamos. É estranho estar contigo no mesmo espaço de sempre e, no entanto, não falarmos como antigamente. Sinceramente não sei se esta mudança foi boa ou foi má, mas creio que acredito mais na última opção. Hoje foste conhecer a A. e, não sei bem porquê, isso custou-me bastante. Senti-me tão estranhamente perdida que optei por fingir que nem ali estava. Corri para a casa-de-banho o mais depressa que pude, mas, em vão, não consegui ficar sozinha nem por um momento. Agora estou sentada no assento do carro e, na escuridão da noite, deixo-me levar em pensamentos sobre como as coisas mudaram. Tudo mudou, eu já não sinto aquela louca, ofegante e indescritível paixão que sentira outrora por ti, mas também não é correto afirmar que me senti bem ao ver-te tão perto dela... Não sei, parece que dói nunca conseguir o que ambiciono e pretendo. Dizem que é bom sonhar, mas isso começa a destruir-me por dentro. Eu sonho e sonho muito, mas a vida anda a correr-me mal e prega-me grandes rasteiras quando menos espero. Já nem a Lua me consola, sinto-me só.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Levas contigo a minha alma

Os olhos ardem-me e as pernas já tremem de cansaço, a cabeça dói muito e a alma está escondida. Custou-me tanto, mas tanto estar contigo, já conseguia sentir o tão derradeiro e melancólico cheiro a despedida... Os dedos já perderam todas as forças e o mero ato de pestanejar torna-se, agora, numa árdua e inalcançável tarefa. A chuva já parara de cair, mas eu não consigo parar de chorar. Nunca pensei que isto fosse tão difícil assim, nunca pensei que me levasse tudo o que tenho e que me pusesse, literalmente, sem energias. Não sei se vais cair em maus caminhos lá como já, por cá, o fizeste, não sei e isso preocupa-me bastante. Quero adormecer e, quando acordar, preciso de alguém que me diga que tudo isto não passou de um enorme pesadelo. Quero-te aqui, quero muito! Tenho a alma nas minhas mãos, e sabes? Leva-a contigo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A distância de um olhar


Por vezes pergunto-me
Porque tenho sofrido assim
Vejo o tempo passar
E tudo caindo em mim.

Dói-me ao proferir
Que te deixarei de ver
E dói-me ainda mais pensar
Se de mim te hás-de esquecer.

O corpo já pouco me move
Os olhos já nada sentem
Mas quando me observas ao perto
Pouco ou nada eles mentem.

Já não sinto o chão
Nem, tão pouco, vejo o teto
E deixo-me cair assim
Neste inferno tão discreto.

Aqui ninguém me vê
E eu sofro sozinha
Não há cá ninguém
Senão a tua alma e a minha.

Fico inteira e repleta
Desta melancolia minha
Nesta tão longa noite
Em que a Lua se intitulou rainha.

É ela que me dá forças
E me diz para prosseguir
Dela oiço vocábulos surdos
Que me imploram para sorrir.

Não sei se voltarei
A ser feliz um dia
Mas gostava de voltar
A sorrir como sorria.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um segredo bem guardado

Começo esta história
sem saber o que dizer
não sei se é poesia
aquilo que estou a escrever.

Sinto-me estranha, confusa
nada me reconforta
serás mesmo tu
a razão da minha revolta?

Estás a interessar-te
pelo rapaz que eu amei
isto é tudo tão recente
que eu já nada sei.

Já não gosto dele 
mas algo dele em mim vive
e não consigo pensar
se terás algo que eu nunca tive.

Um arrepio consome-me
escrevo tudo o que pensei
tu não sabes quantas noites
eu por ele já chorei.

Este é um segredo
sobre o qual tu nada sabes
não sei se to desvende
ou se o feche a sete chaves.

Sozinha sem saída
apertada num segredo
desejo que isto termine
receosa, mas sem medo.

sábado, 24 de novembro de 2012

Lágrimas


As lágrimas escorregam-me pelas maçãs do rosto ao mesmo tempo que as nuvens insistem em deixar cair também alguma água proveniente dos céus. Não sei porque é que estou a chorar desta forma, mas sinto que precisava de o fazer. Desde a leitura do final daquele livro que me encontro assim, neste estado melancólico. A I. apercebeu-se de imediato de que algo se passava, mas eu não lho disse, acho que não preciso de o proferir. Ela percebe. Os meus pais não têm ajudado, zangaram-se comigo e parecem entristecidos com a escolha que fiz hoje. Limpo as lágrimas com a mão contrária àquela com que toco no papel, mas estas tornam e insistem em reaparecer. Acho que tenho saudades tuas, de ti que eu desconheço e de um coração que nunca vi, conheci nem toquei. Daqui consigo ouvir a chuva clara e preciosamente, o que me faz sentir tristeza e alguma saudade, talvez. Não sei porque choro, só sei que me está a saber bem. Já com a camisola repleta de vestígios de lágrimas deixadas cair, deixo-me ficar aqui, de coração apertado e de alma caída, estendida no chão, a ouvir esta silenciosa e estrondosa melodia e à espera do impossível.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A chuva levou-te

Gosto de ti, já não te amo. Hoje, quando apareceste com ela, não me magoaste nem destruíste por dentro como me fazias anteriormente. Vislumbrei-vos a uns metros de distância e limitei-me a ficar ali, sem a súbita e crescente vontade de chorar e de gritar por socorro que sentira outrora. Acho que consegui apagar aquilo que escreveste de olhos vendados no meu coração e fazer com que a ventania te levasse para longe de mim. Agora pareces-me uma pessoa indiferente a tudo e a todos, e já não sou eu a quem tu dás importância. Não dói mais, já doeu o suficiente. Por fim, acabei por me esquecer de vocês e da vossa presença ali. Acho que já me esqueci de ti e, com a força com que a chuva bate agora nos passeios, já não estás em mim certamente. A força da chuva levou-te e eu imploro para que não regresses.

domingo, 11 de novembro de 2012

Memórias que perduram

A lareira está agora acesa pelo segundo domingo consecutivo, o que significa que as noites se têm mantido geladas. Tenho uma tremenda vontade de escrever, mas não sei bem sobre que fazê-lo. Limitar-me a transcrever para a folha do caderno aquilo que me vem à memória talvez seja uma boa ideia. Estou deitada a observar a beleza das chamas e a pensar no quão só aqui estou. Fazes-me falta, não sei bem porquê. Adorava quando me beijavas o pescoço e quando me chamavas aqueles curtos vocábulos que tanto apreciava na altura. Agora estou mais fria, já não gosto de os ouvir proferidos por ninguém. Essas palavras que estavam antigamente relacionadas com pequenas demonstrações de afeto e de amor incondicional, pareceram transformar-se em simples junções de letras que não me fazem sonhar. Em suma, perderam toda a magia que tiveram em tempos. Habitualmente, começavas por me beijar a face, depois o pescoço e, seguidamente, um dos ombros, aquele que estivesse mais próximo de ti. Isso sabia-me bem, concretizava-me, mas fazia parte da nossa "relação" eu não to dizer e agir como que te menosprezasse, o que fazia com que nos desejássemos mutuamente cada vez mais e mais. Nunca passou disto mesmo, de breves carícias e beijos que nunca chegaram à boca. Ficámo-nos por ali e foi bom enquanto durou, admito. Acho que me sentia bem contigo, recordo-me vagamente. Eu relembro-me de ti com carinho, e tu, será que te recordas de mim da mesma forma?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Volta

Estive a observar-te durante o intervalo, mas não fui ter contigo. Não sei se me viste ou não, pareço invisível aos teus olhos. Não vieste ao meu encontro e isso entristece-me e torna o meu dia mais difícil. Neste momento a janela parece-me longínqua, mas eu consigo sentir a frieza do ar gelado que se faz sentir lá fora. Os vidros estão embaciados, o que torna propícia a vontade de desenhar nas janelas. Isso não me influencia nem afeta, eu escrevo e a vontade de escrever vai aumentando à medida de que o tempo insiste em passar. Tenho saudades dos tempos em que conversávamos muito, sobre tudo um pouco. Oh, lembras-te? Este ano estamos o mesmo tempo juntos, mas, não sei, está tudo tão diferente. Hoje vamos estar juntos novamente e, oh, vê se me surpreendes. Tenho saudades tuas.