Estava triste, consternada. Era noite de Lua Cheia e nem isso me consolava. O cigarro apagara-se e o copo de sumo estava caído no chão. Sentia-me fria, gelada mesmo. Tinha medo e vontade de lutar ao mesmo tempo e não sabia qual destes escolher. Sentia-me doente, combalida, débil. O tempo parecia não passar. Bateste-me à porta como se pressentisses que eu não estava bem, entraste no quarto e escondeste-me nos teus longos e fortes braços. Chorei e solucei umas cem vezes no teu peito. Não me perguntaste o que se passava, nem sequer me cumprimentaste. Eu gostei disso. Conversas de silêncio e noites de amor, tudo aquilo que nós somos. Caímos no chão os dois, perto da janela. Sentimos a Lua em beijos que me davas por todo o corpo. Senti as estrelas e o céu, a chuva e o chão molhado. Deitaste-me na cama e saíste, deixando-me nos silêncio de um beijo na testa. No quarto ficou o teu cheiro a bondosidade e a cinco da madrugada. Cheirava a poesia, a poemas verbalizados de amor. Cheirava a ti e a mim. A nós. Nada mais.




