domingo, 10 de fevereiro de 2013

Cinco da madrugada

Estava triste, consternada. Era noite de Lua Cheia e nem isso me consolava. O cigarro apagara-se e o copo de sumo estava caído no chão. Sentia-me fria, gelada mesmo. Tinha medo e vontade de lutar ao mesmo tempo e não sabia qual destes escolher. Sentia-me doente, combalida, débil. O tempo parecia não passar. Bateste-me à porta como se pressentisses que eu não estava bem, entraste no quarto e escondeste-me nos teus longos e fortes braços. Chorei e solucei umas cem vezes no teu peito. Não me perguntaste o que se passava, nem sequer me cumprimentaste. Eu gostei disso. Conversas de silêncio e noites de amor, tudo aquilo que nós somos. Caímos no chão os dois, perto da janela. Sentimos a Lua em beijos que me davas por todo o corpo. Senti as estrelas e o céu, a chuva e o chão molhado. Deitaste-me na cama e saíste, deixando-me nos silêncio de um beijo na testa. No quarto ficou o teu cheiro a bondosidade e a cinco da madrugada. Cheirava a poesia, a poemas verbalizados de amor. Cheirava a ti e a mim. A nós. Nada mais.

     

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Para onde?

Gritei e senti que não era suficientemente audível. Chorei e jurei para nunca mais. O café já esfriara havia muito e o calor já desaparecera de nós próprios. O céu estava escuro, repleto de fantasmas que anunciavam o terror e a pusilanimidade. O fim estava próximo e tu estavas cada vez mais longe. Ouvi relâmpagos e chorei ao som da chuva, gritei por ti e perdi-me naquela janela. Inundei a cidade com as minhas lágrimas e senti o Inferno a meus pés. O cheiro do teu perfume assoberbava-me os cabelos e eu caía cada vez que pensava que estavas prestes a ir-te embora. "Não vás", tartamudeei já quase sem fôlego. "Não posso deixar-te ir assim, eu vou contigo". Abraçaste-me e sentiste o meu cheiro a Inverno, beijaste-me e sorriste. Sempre sei dizer nada. Saltei para os teus braços e deitaste-me contigo na cama. No dia seguinte fugimos. Para onde? Ainda não sabemos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Unidos para todo o sempre

Inalo o teu perfume e entrego-me inteiramente a ti. Cheiras a noites quentes, a infindáveis dias de paixão, a afeto, a vida. Tens todo o calor que eu não tenho, o suficiente para aquentar o meu corpo gelado. Do quarto vislumbra-se a Lua, as estrelas e o tão tenebroso céu. Por baixo dos lençóis beijas-me o joelho, aquele que tu mais gostas, a barriga e o peito. Sobes até ao meu ombro e aí deixas-te ficar, paralisado, suspenso, inerte. Entrego-te o meu corpo e acarinha-lo como se fosse o chocolate mais cobiçado do mundo inteiro e, por conseguinte, o teu preferido. Nunca me sentira assim, admito, nem amara ninguém tão intensamente. Os meus sonhos tornaram-se páginas do meu diário, pois tornaste possível tudo aquilo que eu idealizara em anos. "Eu e tu...", sussurras-me ao ouvido. Nesse mesmo momento, a luz apaga-se e a Lua torna-se mais vizinha do que nunca. "Eu e tu.", respondo-te eu. Adormecemos perfeitamente entrelaçados e unidos para todo o sempre.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Tão real

Era de noite e uma enorme Lua Cheia iluminava-me o caminho. Eu tinha ido visitar a A. à terra onde ela se encontra a viver agora. Ela tinha-me dado todas as indicações para como chegar a sua casa e eu fi-lo exatamente como ela me dissera. Toquei à campainha, a porta abriu-se e corremos uma para a outra à velocidade da luz, em forma de apagar toda aquela saudade. Permanecemos abraçadas durante um período de tempo infindável, ao mesmo tempo que rezávamos para que aquele momento não terminasse nunca e chorávamos intensamente. Verbalizámos algumas palavras, entre soluços de choro, e, pouco depois, tivemos de nos despedir novamente. Abraçámo-nos mais uma vez, eu beijei-lhe a face e pedi a Deus que nada de mal lhe acontecesse. Fechei a porta de casa e entrei no carro com um sorriso nos lábios e os olhos encharcados de emoção.


Acordei a chorar, isto não passou de um sonho. Merda.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Uma noite na praia


Já é tarde e o céu pôs-se escuro e repleto de estrelas. Oiço as ondas bater cada vez mais suave e levemente e o palpitar do meu coração vai acalmando, aos poucos, também. Estás ao meu lado e não paras de me admirar nem por um segundo, como que se quando tirasses os olhos de mim me perdesses por magia. Tens os lábios entreabertos, à espera de um beijo talvez, um sorriso desfeito e uns grandes olhos tranquilizantes da cor do mar. Pões o braço por cima de mim e abraças-me, encosto a cabeça ao teu pescoço e deixo-me ficar ali paralisada, enquanto me acarinhas tão docemente o braço que está próximo de ti. Sinto-me como nunca me senti antes, inserida e completamente detida por este ambiente que tanto admiro. Está frio, é de noite e tenho-te comigo. Estarei eu a sonhar? Os meus olhos vão-se fechando e tu beijas-me a testa, o que me faz despertar. "Estás cheia de sono, não estás?" - dizes-me num sussurro. Volto a fechar os olhos, consigo ouvir-te despir o casaco castanho que trazias e a cobrir-me inteiramente com ele. Seguidamente, abraças-me como se fosses uma chama bem quente que me quer desesperadamente aquecer, penteias-me o cabelo com os dedos e deitas-te a meu lado. "És tudo o que eu sempre sonhei.", consigo ouvir-te dizer, mesmo sem tu saberes. Estou demasiado imobilizada e latente para dizer qualquer coisa, por isso limito-me a pensar no quão maravilhoso és. Deixamo-nos ficar assim, perdidos numa constelação perfeita que nenhum de nós vislumbrara antes. Deitados sobre a areia sem dali mais sair, apaixonados, tu cansado e eu adormecida nos teus braços.