sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Levas contigo a minha alma

Os olhos ardem-me e as pernas já tremem de cansaço, a cabeça dói muito e a alma está escondida. Custou-me tanto, mas tanto estar contigo, já conseguia sentir o tão derradeiro e melancólico cheiro a despedida... Os dedos já perderam todas as forças e o mero ato de pestanejar torna-se, agora, numa árdua e inalcançável tarefa. A chuva já parara de cair, mas eu não consigo parar de chorar. Nunca pensei que isto fosse tão difícil assim, nunca pensei que me levasse tudo o que tenho e que me pusesse, literalmente, sem energias. Não sei se vais cair em maus caminhos lá como já, por cá, o fizeste, não sei e isso preocupa-me bastante. Quero adormecer e, quando acordar, preciso de alguém que me diga que tudo isto não passou de um enorme pesadelo. Quero-te aqui, quero muito! Tenho a alma nas minhas mãos, e sabes? Leva-a contigo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A distância de um olhar


Por vezes pergunto-me
Porque tenho sofrido assim
Vejo o tempo passar
E tudo caindo em mim.

Dói-me ao proferir
Que te deixarei de ver
E dói-me ainda mais pensar
Se de mim te hás-de esquecer.

O corpo já pouco me move
Os olhos já nada sentem
Mas quando me observas ao perto
Pouco ou nada eles mentem.

Já não sinto o chão
Nem, tão pouco, vejo o teto
E deixo-me cair assim
Neste inferno tão discreto.

Aqui ninguém me vê
E eu sofro sozinha
Não há cá ninguém
Senão a tua alma e a minha.

Fico inteira e repleta
Desta melancolia minha
Nesta tão longa noite
Em que a Lua se intitulou rainha.

É ela que me dá forças
E me diz para prosseguir
Dela oiço vocábulos surdos
Que me imploram para sorrir.

Não sei se voltarei
A ser feliz um dia
Mas gostava de voltar
A sorrir como sorria.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um segredo bem guardado

Começo esta história
sem saber o que dizer
não sei se é poesia
aquilo que estou a escrever.

Sinto-me estranha, confusa
nada me reconforta
serás mesmo tu
a razão da minha revolta?

Estás a interessar-te
pelo rapaz que eu amei
isto é tudo tão recente
que eu já nada sei.

Já não gosto dele 
mas algo dele em mim vive
e não consigo pensar
se terás algo que eu nunca tive.

Um arrepio consome-me
escrevo tudo o que pensei
tu não sabes quantas noites
eu por ele já chorei.

Este é um segredo
sobre o qual tu nada sabes
não sei se to desvende
ou se o feche a sete chaves.

Sozinha sem saída
apertada num segredo
desejo que isto termine
receosa, mas sem medo.

sábado, 24 de novembro de 2012

Lágrimas


As lágrimas escorregam-me pelas maçãs do rosto ao mesmo tempo que as nuvens insistem em deixar cair também alguma água proveniente dos céus. Não sei porque é que estou a chorar desta forma, mas sinto que precisava de o fazer. Desde a leitura do final daquele livro que me encontro assim, neste estado melancólico. A I. apercebeu-se de imediato de que algo se passava, mas eu não lho disse, acho que não preciso de o proferir. Ela percebe. Os meus pais não têm ajudado, zangaram-se comigo e parecem entristecidos com a escolha que fiz hoje. Limpo as lágrimas com a mão contrária àquela com que toco no papel, mas estas tornam e insistem em reaparecer. Acho que tenho saudades tuas, de ti que eu desconheço e de um coração que nunca vi, conheci nem toquei. Daqui consigo ouvir a chuva clara e preciosamente, o que me faz sentir tristeza e alguma saudade, talvez. Não sei porque choro, só sei que me está a saber bem. Já com a camisola repleta de vestígios de lágrimas deixadas cair, deixo-me ficar aqui, de coração apertado e de alma caída, estendida no chão, a ouvir esta silenciosa e estrondosa melodia e à espera do impossível.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A chuva levou-te

Gosto de ti, já não te amo. Hoje, quando apareceste com ela, não me magoaste nem destruíste por dentro como me fazias anteriormente. Vislumbrei-vos a uns metros de distância e limitei-me a ficar ali, sem a súbita e crescente vontade de chorar e de gritar por socorro que sentira outrora. Acho que consegui apagar aquilo que escreveste de olhos vendados no meu coração e fazer com que a ventania te levasse para longe de mim. Agora pareces-me uma pessoa indiferente a tudo e a todos, e já não sou eu a quem tu dás importância. Não dói mais, já doeu o suficiente. Por fim, acabei por me esquecer de vocês e da vossa presença ali. Acho que já me esqueci de ti e, com a força com que a chuva bate agora nos passeios, já não estás em mim certamente. A força da chuva levou-te e eu imploro para que não regresses.